A revista Time publicou na capa a imagem de uma afegã, de 18 anos, mutilada por ter fugido de casa do marido. As lesões são marcantes e demonstram como o regime afegão reage à tentativa de independência das mulheres.
À jovem Aisha foram-lhe cortadas as orelhas e o nariz, a mando de um combatente talibã, simplesmente porque fugiu de uma vida de maus tratos em casa do marido. Se não fugisse, provavelmente estaria morta.
Ela é o rosto que marcou a capa da revista Time e chocou o mundo pela força que revelou ao demonstrar como os talibãs são severamente cruéis com a população feminina. A revista, através do seu director, Richard Stengel, optou pela capa chocante para dar a conhecer o poder dos talibãs e dos homens no Afeganistão.
Sem saber ler ou escrever, a jovem tão pouco sabia a importância do seu rosto surgir na capa da Time. A revista conseguiu fotografá-la quando Aisha estava num abrigo secreto de acolhimento para mulheres, em Cabul.
“Eu não sei se isso vai ou não ajudar outras mulheres”, disse, enquanto cobria o rosto, gesto normal quando estranhos a olham directamente. “Eu só quero o meu nariz de volta”, sublinhou.
É notório o desconforto sentido por Aisha e a revolta de Manizha Naderi, responsável pelo grupo Women for Afghan Women que coordena o abrigo onde Aisha esteve escondida durante dez meses.
Manizha Naderi responde ao título da Time, “O que acontece se deixarmos o Afeganistão”: “é isto mesmo que vai acontecer”, referindo-se ao rosto de Aisha. “As pessoas precisam ver isto e saber o custo de se abandonar o país”, disse Naderi.
De Cabul para os EUA
Após a publicação polémica da Time, Aisha partiu para os EUA para fazer uma cirurgia reconstrutiva ao rosto. Mas a história revelada pela revista das mulheres escravizadas pelos talibãs pode ter consequências infelizes...
Aos 12 anos, Aisha e a irmã mais nova foram dadas à família de um combatente talibã, devido a um costume tribal de resolução de litígios, conhecido como “baad”. O tio de Aisha tinha morto um parente do futuro noivo e, de acordo com o costume, para liquidar a dívida de sangue, o seu pai deu as duas meninas à família da vítima.
A irmã de Aisha, agora com dez anos, ainda está à mercê dos talibã e Manizha Naderi julga estar a ser “descontada toda a sua raiva sobre ela, exigindo uma outra menina da sua família para substituir Aisha”.
Galeria de fotos da revista Time sobre Aisha:




