Já estão em funcionamento os primeiros comboios com carruagens apenas para mulheres, na cidade de Jacarta-Bogor, na Indonésia, à semelhança do que já acontece na Índia. Uma medida que surge, nos dois países, em resposta às muitas reclamações contra o comportamento dos homens.
Na Índia, o problema dos insultos e do assédio sexual, conhecido por “eve teasing”, levou a que o governo indiano avançasse, em 2009, nas quatro cidades principais – Nova Deli, Bombaim, Chennai (Madrasta) e Calcutá – com um programa-piloto, que introduziu oito novos comboios para uso exclusivo de passageiros do sexo feminino, conhecidos por “Ladies Specials”.
“Isto é extremamente agradável”, comenta Kiran Khas, professora, que há 17 anos faz percursos diários de comboio. Khas conta que os comboios normais estão sempre cheios de vendedores de vegetais, carteiristas, pedintes e de muitos homens. “Aqui, neste comboio, podemos embarcar em qualquer lado e sentar-nos à vontade”, acrescenta.
O comboio das mulheres, bem menos cheio, equipado com assentos almofadados e ventoinhas eléctricas, contrasta com os tradicionais comboios, quase sempre sujos e, muitas vezes, repletos de homens.
Durante vários anos, as mulheres que viajavam de comboio sentavam-se ao lado dos homens. Mas os problemas de segurança e de excesso de passageiros levaram a companhia ferroviária indiana a reservar duas carruagens em cada composição para uso exclusivo das mulheres. Contudo, e por os comboios estarem terrivelmente sobrelotados, os homens invadiam as carruagens das mulheres e reclamavam lugares.
Em 1992, começaram a funcionar em Bombaim dois comboios para mulheres, mas o programa acabou por não se expandir. Finalmente, e perante o aumento dos protestos por parte dos passageiros do sexo feminino, Mamata Banerjee, ministra dos Caminhos-de-Ferro da Índia, anunciou a criação de oito novos “Ladies Specials”.
Ainda assim, os oito novos transportes representam uma ínfima percentagem dos comboios de passageiros do país. Nova Deli, por exemplo, é servida por 35 comboios, dos quais apenas um é exclusivo de mulheres. A ministra dos Caminhos-de-Ferro anunciou, entretanto, futuras linhas especiais.
Uma situação absolutamente inaceitável e contra a qual é imprescindível agir. No Feminino Negócios lança uma campanha Contra a Violência no Namoro. Junte-se a esta causa, no Facebook (adira aqui).
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