Equilíbrio entre a vida profissional e pessoal
é um desafio maior para as mulheres


Encontrar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é o maior desafio que as mulheres empresárias encontram para progredir na carreira e demonstrar que são diferentes em género, mas devem ser iguais em direitos.

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"As mulheres ainda sentem muita discriminação, mas felizmente esse sentimento está a desaparecer porque muitas empresas estão a implementar planos de igualdade", disse à Lusa a presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias (APME), Ana Bela Silva.

O tema da igualdade de géneros nas empresas esteve em discussão esta manhã em Sacavém, no Encontro Ibérico "Trabalhar pela Igualdade".

O encontro que reuniu empresárias portuguesas e espanholas visou alertar para as consequências negativas para as empresas da manutenção de estereótipos que diferenciem o valor profissional de homens e mulheres.

"As empresas não podem desperdiçar os seus talentos. A discussão dentro das empresas das competências dos homens e das mulheres só provoca barreiras ao desenvolvimento das pessoas e afecta a competitividade da própria empresa", apontou Ana Bela Silva.

Sónia Marçal, gerente da Portela Cafés, foi uma das empresárias presentes no encontro. A empresária de 45 anos contou que sentiu sempre muitos entraves na empresa onde trabalhou anteriormente, mas reconheceu que muitas vezes essas dificuldades foram por culpa da mentalidade que é própria de muitas mulheres.

"O nosso problema é que achamos que temos de fazer tudo e ser as melhores e não exigimos aquilo a que temos direito, quer ao nível salarial, quer ao nível de condições de trabalho", apontou.

O equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal é outro dos desafios que as mulheres enfrentam para provar o seu valor enquanto "mais-valia" no seio de uma empresa e poder progredir na carreira.

A discriminação "afecta a competitividade" nas empresas, alerta Ana Bela Silva, presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias.

"Muitas mulheres não querem assumir funções de chefia porque percebem que é preciso mais tempo para estar dentro das empresas e apoiar as equipas, o que obriga a deixar os filhos muitas vezes para trás. Elas não querem isso", sublinhou.

A flexibilidade de horários e a criação de medidas governativas no campo de apoio à mulher são algumas das exigências destas empresárias.

Apesar de alguns vestígios de descriminação e da manutenção de alguns estereótipos, a vice-presidente da Comissão Para a Cidadania e Igualdade de Género, Paula Alves, acredita que as diferenças entre géneros "estão a ser mitigadas", tendo as mulheres acesso aos mesmos lugares do que os homens.

"É verdade que as mulheres continuam a trabalhar mais do que os homens, mas penso que as diferenças são cada vez menos visíveis. Já há muitas mulheres a assumir lugares de topo", atestou.

Por seu turno, a APME reconhece que as mentalidades estão a mudar, mas garante que ainda existe muita descriminação no trabalho, exigindo plena igualdade laboral entre homens e mulheres.

"Quando o poder dos empresários e das empresárias estiver ao mesmo nível nós deixamos de existir. Somos a única associação que existe que deseja que a sua existência seja a mais curta possível", concluiu.


in Público





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