Em Portugal, 25 mulheres foram assassinadas desde o início do ano e 43 foram vítimas de tentativa de homicídio, segundo o Observatório de Mulheres Assassinadas. Apesar de o número de vítimas de episódios de violência doméstica ter diminuído face a 2008 (ano em que se registaram 45 mortes), os dados agora divulgados apontam que as portuguesas vítimas da violência de género são cada vez mais novas.
Esta violência conjugal começa, hoje, a manifestar-se ainda no tempo de namoro. É o emergir de um novo "fenómeno" que parece tomar proporções ainda mais graves que o da "típica" violência doméstica: a violência no namoro, uma abominável e absolutamente inaceitável prática que atinge mulheres com idades cada vez mais baixas, cuja grande maioria dos actos de violência continua a não ser denunciada por medo e vergonha... Mas estas agressões (a todos os níveis) não podem ser silenciadas, têm mesmo que ser denunciadas!
"A violência entre os jovens é um fenómeno emergente em todos os países. A violência hoje é mais grave, o que traduz, de certo modo, as atitudes da vítima face à perseguição. Há uns anos, a vítima não tinha uma atitude de reacção. E, por outro lado, as relações entre jovens estão mais intensas do ponto de vista da partilha e da violência de conjugalidade", diz Elza Pais, actual Secretária de Estado da Igualdade e autora do estudo "Homicídio conjugal em Portugal".
As principais vítimas directas de violência doméstica "continuam a ser as mulheres", com um número maior de casos de violência psicológica, "seguida da física e da sexual. Por exemplo, 25 a 35 por cento das pessoas com idades entre os 13 e 19 anos consideram que não há violência sexual no namoro. Ou seja, entende qualquer cedência sexual no quadro do namoro como um gesto de amor. Isto é gravíssimo do ponto de vista dos valores e da representação", alerta Elza Pais.
Só na última semana, cinco mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros. Dados da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta apontam que as 25 mulheres assassinadas este ano tinham uma média de idades inferior a 35 anos, muitas delas vítimas de namorados e de ex-namorados, "evidenciando a necessidade de uma maior atenção mesmo no tipo de relação onde existe, em princípio, um menor compromisso entre as pessoas envolvidas".
Estas são situações absolutamente inaceitáveis e contra as quais é imprescindível agir. O No Feminino Negócios lança, por isso, a partir de hoje, uma campanha contra a violência no namoro. Aos nossos leitores, amigos e colaboradores deixamos o desafio de se juntarem a esta causa, com o vosso testemunho, apoio e ideias, para sensibilizar o País para este flagelo inaceitável.




