"Chanel libertou as mulheres e Saint Laurent deu-lhes o poder." A frase de Pierre Bergé, sócio e companheiro de Yves Saint Laurent, sintetiza o impacto da revolução na moda feminina, quando, em 1966, o estilista francês apresentou, pela primeira vez, num dos seus desfiles, mulheres vestidas com camisas transparentes e trajes de cerimónia até então típica e exclusivamente masculinos. Nascia o "le smoking" para as mulheres, hoje tão em voga entre as executivas.
Presente em todas as colecções de Yves Saint Laurent, o smoking feminino (seguido por outras criações, como o blazer e os ternos com calças pantalonas) ultrapassou as fronteiras da moda e conferiu uma nova atitude feminina, ao trazer um certo "poder" às mulheres, necessário para competir com os homens no mercado executivo.
Para Suzy Menkes, editora do International Herald Tribune, o "le smoking" foi definitivamente transformador: "Hoje, as mulheres andam normalmente de terno e calças compridas. Isso parece normal, quotidiano, mas, na época, (…) o smoking, usado até hoje, foi uma provocação sexual, destinado à mulher que queria ter um outro papel", diz.