Queixas de violência
doméstica sobem em 2009


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O número de participações de casos de violência doméstica às forças policiais aumentou cerca de dez por cento, no ano passado, com mais de 30 mil denúncias. A maioria (92,4 por cento) foi registada nos distritos de Lisboa, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga, revela o relatório "Violência Doméstica 2009", da Direcção-Geral de Administração Interna (DGAI).

Elza Pais, secretária de Estado para a Igualdade, explica este elevado número de queixas com "a desocultação do fenómeno". "Agora, o mais importante é trabalhar nos distritos e comarcas onde a violência permanece oculta", disse, durante a análise das ocorrências participadas à PSP e GNR, durante o ano passado, divulgadas, em meados de Abril, pela DGAI e inscritas no Relatório Anual de Segurança Interna.

Quarto crime mais registado em Portugal

Por mês, chegam às forças de segurança 2.545 participações, ou seja, cerca de 84 queixas por dia e "três a quatro queixas por hora", números que fazem da violência doméstica o "quarto crime mais registado em Portugal" e o "segundo crime mais registado na ordem de crimes contra as pessoas", com sete e oito por cento, respectivamente, do total nacional.

Violência em números:

89% – Casos em que foi a própria vítima a denunciar o crime às autoridades.

16% – Ocorrências em que foram utilizadas armas de fogo.

46% – Situações em que o consumo "habitual" de álcool motivou as agressões.

11% – Situações em que o consumo de estupefacientes motivou as agressões.

5% – Casos em que os menores assistiram às agressões.

Em mais de metade dos casos denunciados já tinham havido ocorrências anteriores de violência doméstica.

Em 2009, 16 pessoas morreram vítimas de maus-tratos domésticos, mais seis que no ano anterior. As mulheres continuam a ser as principais vítimas (85 por cento): em média, têm 39 anos, mais de metade são casadas ou vivem em união de facto (quase sempre com o agressor) e a grande maioria (77 por cento) depende economicamente do agressor, conclui o relatório.

No documento pode ainda ler-se que Junho e Agosto foram os meses mais complicados.

Regulamentada protecção das vítimas

No mesmo dia da apresentação do relatório "Violência Doméstica 2009", Elza Pais deu a conhecer as portarias que regulamentam o regime de protecção às vítimas de violência doméstica e definem as condições para a utilização de vigilância electrónica dos agressores e para a teleassistência.

Estes projectos, por estarem ainda em fase experimental nas comarcas de Coimbra e Porto, não têm ainda reflexo nos números. Serão "sujeitos a avaliação daqui a um ano" e então, nessa altura, se verá realmente se "há condições para os alargar a outros distritos, o que não quer dizer que, pontualmente, essas medidas não possam já ser requeridas pelos magistrados para serem aplicadas noutros distritos", explicou a secretária de Estado para a Igualdade.

As portarias definem também o modelo do estatuto da vítima, conferindo-lhe a possibilidade de ser indemnizada pelo agressor, reembolsada das despesas com o processo e de lhe ser atribuído o documento que comprova o "estatuto de vítima", para acesso a benefícios sociais, apoio ao arrendamento e frequência de formação profissional.

"As vítimas ficam com a sua protecção regulamentada e os técnicos e profissionais das forças de segurança e de intervenção têm mecanismos para poderem, com rigor, definir a estratégia que melhor se adequa a cada situação concreta", afirmou Elza Pais.





22/04/2010

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